o papel da mulher em memorial do convento
Saramago
Uma narrativa histórica: a riqueza e a pobreza
O romance Memorial do Convento, de José Saramago, representa uma investida no campo da narrativa histórica. A obra percorre um período de aproximadamente 30 anos na história de
Portugal durante a época da Inquisição. O autor critica Portugal que submetia o povo à exploração e à miséria, apesar da riqueza fecunda do país. As suas personagens estão divididas entre a sofisticação da Corte e a simplicidade da vida popular. Nestes dois grupos distintos, José
Saramago trata as personagens femininas de forma especial, mostrando os seus diferentes comportamentos. Duas mulheres: duas formas diferentes de ver a vida
Através da …exibir mais conteúdo…
Blimunda vive de forma livre num mundo onde não há regras nem formalidades que a escravizem. Ela é o oposto da rainha que vive num mundo diferente. Um mundo em que recebe do padre seu confessor ensinamentos para resignar-se com as traições do marido, inclusive aquelas cometidas com as freiras nos mosteiros, a quem ele “emprenha” uma após outra.
Blimunda é o que é. Apesar da vida simples e muito pobre é-lhe dado o direito ao amor, à liberdade e à felicidade.
Blimunda Sete-Luas e Baltasar Sete-Sóis: um amor para sempre
O encontro de Blimunda com Baltasar Sete-Sóis, um soldado que perdeu a mão esquerda na guerra de sucessão pelo trono espanhol, acontece durante uma procissão de um auto-de-fé, espectáculo da Inquisição, onde a mãe de Blimunda iria ser condenada a oito anos de degredo no reino de Angola.
A sensibilidade à flor da pele leva essas duas mulheres, mãe e filha, a comunicarem-se mentalmente, já que não se podem aproximar uma da outra. As visões de Sebastiana indicam que aquele homem maneta que ela vê, seria o verdadeiro companheiro da sua filha, por isso inspira Blimunda a perguntar ao desconhecido "Que nome é o teu?". Blimunda obedece à ordem mental da sua mãe que contribui, dessa forma, para que a relação de união e de paixão únicas, comece naquele momento.
“Por que foi que perguntaste o meu nome, e Blimunda respondeu, Porque minha mãe o quis saber e queria que eu o soubesse, Como sabes, se com ela não pudeste falar, Sei que